Construir um router com o Banana Pi R1 – Parte II

Instalação do sistema operativo

Esta é a segun­da parte da série de arti­gos Con­stru­ir um router com o Banana Pi. Para con­sul­tar a primeira parte, veja aqui.

Que opções tenho?

O Banana Pi, como foi dito na parte I, baseia-se no SoC (Sys­tem on a Chip) All­win­ner A20, que tem uma arqui­tec­tura ARMv7. Como tal, é com­patív­el com todos os sis­temas oper­a­tivos exis­tentes para esta platafor­ma:

  • Android
  • Lin­ux
  • FreeB­SD
  • OpenB­SD
  • NetB­SD
  • Open­WRT

Ini­cial­mente, con­sid­erei usar uma das vari­antes de BSD. Rap­i­da­mente desco­bri que não há (ain­da) dri­ver para o chip BCM53125. Este chip é um switch Eth­er­net com suporte para VLANs. O Banana Pi, tal como muitos dos routers disponíveis com­er­cial­mente ape­nas dis­põem de um inter­face Eth­er­net. A dis­tinção entre a por­ta WAN e as 4 por­tas LAN é fei­ta à cus­ta de VLANs.

Acon­tece que nen­hum sis­tema, excep­to Open­WRT e Lin­ux fornece dri­ver para o BCM53125. Como já ten­ho um router com Toma­toUSB, que é muito pare­ci­do com Open­WRT e como as dis­tribuições de Lin­ux disponíveis dis­põem de muito mais fun­cional­i­dades, deci­di optar por uma dis­tribuição de Lin­ux “com­ple­ta”.

Distribuições disponíveis

São várias as dis­tribuições de Lin­ux disponíveis na pági­na do pro­du­to (http://www.bananapi.com/Download/6/):

  • Ubun­tu MATE 16.04
  • KANO OS 3.3.0 beta
  • Rasp­bian (basea­do em Debian Jessie)
  • Rasp­bian Lite
  • Ubun­tu min­i­mal
  • Android 4.4
  • Open­WRT 4.0
  • Snap­py Ubun­tu Core
  • Banan­ian
  • Arch Lin­ux
  • Lubun­tu
  • Open­SUSE
  • Fedo­ra

O Banana Pi R-1 é tam­bém com­er­cial­iza­do com o nome Lam­obo R1, e, nes­ta pági­na (https://dl.armbian.com/lamobo-r1/) poder­e­mos tam­bém obter o Arm­bian (ver­são de Debian para arqui­tec­turas ARM) e o Ubun­tu.

Após diver­sas pesquisas, deci­di optar pelo Arm­bian com o ker­nel ver­são 3.4.113. O link direc­to para down­load que usei foi https://dl.armbian.com/lamobo-r1/archive/Armbian_5.25_Lamobo-r1_Debian_jessie_default_3.4.113.7z.

Depois de descar­regar este ficheiro, ter­e­mos que o descom­prim­ir com o util­itário 7zip.

Ter­e­mos então, além de um ficheiro com 1,3GB que é a imagem do sis­tema, um ficheiro de tex­to com infor­mação sobre o sis­tema oper­a­ti­vo, bem como o ficheiro sha256sum.sha, que é um ficheiro de con­tro­lo. Para ver­i­ficar se o ficheiro foi cor­rec­ta­mente trans­feri­do e descom­prim­i­do, dev­er-se-á faz­er a ver­i­fi­cação do ficheiro img com o util­itário sha256sum (ou equiv­a­lente).

De segui­da, deve-se “trans­ferir” esse ficheiro para um cartão microSD com, pelo menos, 2GB de capaci­dade.

Em sis­temas UNIX® e Lin­ux pode-se usar o util­itário dd. Em sis­temas Win­dows, pode-se usar o Rufus (disponív­el em https://rufus.akeo.ie/).

O coman­do que uti­lizei no meu com­puta­dor foi:

dd if=Armbian_5.25_Lamobo-r1_Debian_jessie_default_3.4.113.img of=/dev/mmcblk0 bs=128k

A opção bs=128k serve para acel­er­ar a trans­fer­ên­cia.

De segui­da, se dese­jáv­el, pode-se usar o util­itário gpart­ed para expandir a par­tição do cartão SD para que ocupe toda a capaci­dade disponív­el.

Esta­mos pron­tos, então para lig­ar o Banana Pi pela primeira vez. Dado que não temos ain­da a con­fig­u­ração de rede efec­tu­a­da, ter­e­mos que lig­ar o Banana Pi a um mon­i­tor (ou tele­visão) com lig­ação HDMI e um tecla­do USB.

Configuração básica

A primeira vez que se liga o Banana Pi, ter­e­mos que usar o login root. A pass­word por omis­são é bananapi. É-nos então pedi­das algu­mas infor­mações:

  • Mudança da pass­word do uti­lizador root
  • Cri­ação de um uti­lizador não priv­i­le­gia­do.

O Arm­bian para o Banana Pi R-1 é forneci­do com ficheiros de con­fig­u­ração de rede pré-definidos.

De for­ma a poder­mos aced­er ao Banana Pi por SSH, neces­si­ta­mos de primeiro, entrar com o uti­lizador root e copi­ar ou renomear o ficheiro /etc/network/interfaces.r1router para /etc/network/interfaces.

Esta alter­ação per­mite que sejam definidas duas VLANs, uma para o inter­face WAN e out­ra para os inter­faces LAN e WLAN. Estes dois inter­faces ficam agre­ga­dos numa bridge (br0). Define tam­bém que o endereço WAN será definido por DHCP (os ISPs por­tugue­ses uti­lizam este méto­do para obtenção do endereço IP públi­co); a rede “inter­na” (LAN) fica defini­da como 192.168.2.0/24.

A par­tir daqui poder­e­mos aced­er ao Banana Pi por SSH. Para isso, tem­po­rari­a­mente, liguei o Banana Pi, com um cabo UTP des­de o inter­face WAN a uma por­ta LAN do meu router actu­al.

Na ter­ceira parte, falarei da con­fig­u­ração dos vários serviços de rede necessários para poder dar suporte à min­ha rede domés­ti­ca (DHCPd, DNS, e fire­wall).

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