Onde o tempo pára

Côja

Existem sítios onde o tempo pára, onde não há grandes pressas para chegar onde quer que seja, onde o ar tem cheiro diferente, a flores, onde não há trânsito automóvel, ou quase, onde o tráfego aéreo é todo a baixa altitude e os “aviões” têm todos penas, onde os ruídos produzidos pelo Homem são abafados pelo ruído da Natureza.

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O inglês está na moda?

Já repararam como o inglês está na moda?

Por todo o lado se ouve falar em runningcyclingsmartphonestabletslaptops… Nos círculos de pessoas que usam cigarros electrónicos é o copperstainless steelbrass, etc.

Se é verdade que, para alguns desses termos, o equivalente em português não soa tão bem, nem é tão fácil de dizer, como “telefones espertos”, “computador de mão”, “computador de colo”, etc., existem outros para os quais o termo em português é perfeitamente utilizável, como “corrida” em vez de running, “ciclismo” em vez de cycling, “cobre” em vez de copper, e por aí fora.

Caso ainda não tivessem reparado, sou um acérrimo defensor da língua portuguesa (e sou absolutamente contra o Aborto Ortográfico de 1990, que nos querem impor à força, mas isso fica para outras núpcias) e não consigo perceber o porquê desta substituição de termos portugueses pelos ingleses.

Será por ser mais chique!? Talvez, mas não deixa de ser mau.

Viagens em família

Ontem decidi apanhar o combóio para casa, não na estação de Entrecampos mas na estação do Rossio.

Desci a Avenida da Liberdade a pé, desde o Marquês de Pombal e reparei numa coisa curiosa…

Quase todos os estrangeiros de férias em Lisboa viajam com a família toda. Decerto pertencem à classe média nos seus países de origem.

Fiquei a pensa no seguinte: “Por que razão terão os estrangeiros dinheiro para viajar com a família toda e não os portugueses?”

A razão é simples: os ordenados dos estrangeiros permitem-lhe muito melhor qualidade de vida. Por que razão não terão os portugueses direito a ter dinheiro para viver e também para algo extra como viagens de vez em quando?

Por que temos salários tão baixos?

Novo desafio profissional: o pânico

Há uns dias iniciei um novo desafio profissional. É sempre um pouco assustador.

Surge sempre na nossa mente uma panóplia de questões, receios, expectativas… É inevitável!

Será que os novos colegas vão gostar de mim?
Será que vou gostar dos meus novos colegas?
Como será o ambiente de trabalho? Muito formal? Pouco formal?
E o trabalho em si? Será muito? Assim assim? Muito?
E o percurso para o trabalho? Fácil? Difícil?

São tantas as perguntas que assusta…

É verdade que já se passaram alguns dias… Só depois de umas semana escrevo estas parcas linhas, e já é possível responder a algumas questões.

Em relação ao ambiente de trabalho já consegui ter alguma ideia. Não é muito diferente do que já estou habituado.

Outra questão que se põe, principalmente no meu trabalho, é a questão de acessos (aos servidores, às aplicações que devemos gerir, etc.). No meu caso, “apenas” demoraram três semanas!!! Sem eles não é possível trabalhar e os dias demoram muito a passar, sem poder realizar trabalho útil.

Neste momento, creio que já estou 99,9% integrado. Já desenvolvo trabalho útil e já entrei na rotina do novo emprego.

Afinal, não é assim tão assustador, quando acreditamos nas nossas próprias capacidades.

Opinião de um aluno (que, por acaso, é grego…)

Carta aberta de um estudante liceal grego (Traduzida de “Echte Democratie Jetzt”):

Aos meus professores… e aos outros:

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.

Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual “estaria em causa” devido à greve.*

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?

Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:

– Quem construiu o futuro do meu avô?

– Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?

– Quem governou mal e estripou este país?

– Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.

– Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?

– Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?

– Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?

– Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?

– Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?

– Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?

– Quem lançou tanta gente no desemprego?

– Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?

– Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?

Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?

Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.

Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?

Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?

Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?

Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:

Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.

Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.

Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:

Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?

Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?

Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?

Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?

Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?

Finalmente, quereis que vivamos como escravos?

De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: “Avançar e derrotar a tirania fascista!”

Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.

PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que “só quero escapar às aulas”: Comportamento do aluno: “Muito Bom”. Classificação média: 20 (“Excelente”) [a nota mais alta nos liceus gregos].

Mais um Natal…

[M]ais um Natal… Esta é uma época em que se costumam juntar as famílias, voltar às origens, muitas vezes no interior do país, onde o frio aperta e só apetece estar à volta da lareira ou do fogão a lenha. Sei disto porque passei muitos na terra natal do meu pai, uma vila pacata e pitoresca chamada Côja, no concelho de Arganil, a uns meros 30km de uma outra aldeia muito conhecida, o Piódão.

Vistal geral de Côja

Côja é um sítio de uma tranquilidade demasiado estranha para as pessoas habituadas ao reboliço da cidade. Basta ficar atento para se ouvir apenas o chilrear das aves canoras, do grasnar dos corvos nas matas circundantes, o barulho do vento nos pinheiros e as águas correntes da Ribeira da Mata.

Esta ribeira é um curso de água que nasce na Fraga da Pena, bem dentro da paisagem protegida da Serra do Açor, iniciando o seu percurso numa das mais altas cascatas de Portugal, com 20 metros de altura. As águas são cristalinas e mesmo no Verão tão frescas que parece que estão a sair do frigorífico, boas para matar a sede.

Cascata da Fraga da Pena

Esta ribeira, apesar de ter muitas partes do seu percurso até ao Rio Alva secos durante o Verão, é alimentada por inúmeras nascentes, pelo que há sempre água a desaguar no Alva. É também esta água que serve para regar os terreno agrícolas que a ladeiam em todo o vale da Côja.

Côja é daqueles sítios quase esquecidos pelo progresso, em que os prédios e as ruas pouco mudam, embora, quando acontece, a mudança é radical. É vila desde 1260 e já foi um grande agregado populacional (em 1849 tinha 7091 habitantes), enquanto agora não passa dos 1700.

É um dos sítios onde tenho ido pouco, mas gosto sempre de lá voltar. O ar puro nota-se no cheiro e na frescura de cada inspiração.

Espero que não mude muito, pois gostaria de aproveitar a tranquilidade de que oferece muito mais vezes.

Rua d’Arte

[N]a sexta-feira passada conheci um sítio chamado Rua d’Arte. Mas só se chama assim durante a noite. Durante o dia chama-se Rua da Mesquita. Fica na Avenida 25 de Setembro, mesmo em frente ao Mercado Municipal e junto à sede do Millennium. Faz esquina com a Casa Elefante, uma loja de capulanas com tanta por onde escolher que é difícil comprar lá seja o que for. Durante a noite, colocam um pano no início da rua e outro no fim, uma mesa a servir de bar e pronto: festa toda a noite! Há lá sempre DJs (de fraca qualidade), música, muita dança, diversão e bebidas! O tipo do bar que vende cerveja é um bacano! A casa de banho é minúscula, mas serve para os gastos. Segundo o Luís, ia haver nessa noite um concerto de um grupo moçambicano que toca timbilas, um xilofone típico de Moçambique, que usa côcos como caixas de ressonância. Fazem um som característico. O grupo em si foi uma surpresa. Chamam-se os Timbila Muzimba. Misturam as timbilas, com tambores tradicionais, e com guitarras baixo e não só, bateria e sintetizador! A acompanhar, danças moçambicanas, influenciadas pelas danças tribais da zona. Estiveram lá para aí umas 4 horas a tocar e a dançar. Foi um espectáculo!

Kruger National Park (2/2)

[O] dia começou como esperava às 5h30. Hora de acordar. Estava um frio de rachar e eu só tinha uma camisoleca de meia estação comigo. Felizmente no jipe havia cobertores. No dia anterior tínhamos falado com um dos guias do Kruger Park que afinal era mesmo o nosso. Primeiro foram as apresentações. Ele chamava-se Clint. Tal como o Eastwood…

Ele começou com um breefing sobre as principais normas de segurança no parque, principalmente não colocarmos nenhuma parte do corpo fora do jipe. A explicação é simples: os animais conseguem-nos sentir pelo cheiro, mas pensam que esse cheiro é o próprio jipe; se colocarmos alguma parte de corpo fora do jipe alteramos o perfil deste, sendo óbvio para os animais, principalmente os predadores e os maiores (rinocerontes, hipopótamos, búfalos e elefantes) que há algo mais dentro do jipe. Depois deste breefing, lá seguimos nós para dentro do parque propriamente dito. Quando saímos do hotel o sol esta a começar a raiar.

Nascer do Sol no Kruger
Nascer do Sol no Kruger

Pelo caminho falou-nos dos “Big Five”. São os animais de eleição do parque: o leão, o rinoceronte, o elefante, o búfalo e o leopardo.

Os primeiros animais que vimos são os mais comuns do Kruger Park, as impalas. O guia chamou-lhes o MacDonald’s da selva. Há-as em todo o lado e em abundância. As primeiras que vimos foram dois jovens machos a treinar as lutas que os farão mais tarde ter descendência.

impalas
Impalas

O primeiro dos Big Five que encontrámos foi o rinoceronte. Deste vez foi uma família, com um bebé com cerca de 150kg!

Rinoceronte fêmea e a sua cria
Rinoceronte fêmea e a sua cria

O Clint mantinha-se em contacto permanente via telemóvel (quando tinha rede), mas principalmente através de rádio CB. É comum as pessoas que andam no Kruger comunicarem umas com as outras acerca dos animais que encontram.

Antes do pequeno almoço ainda vimos kudus. São a segunda espécie de antílope mais comum no parque e têm riscas no corpo muito características. Como sempre, tivemos que esperar que uma pequena manada atravessasse o caminho.

 

Kudu macho
Kudu macho

O pequeno almoço estava destinado a ser numa área própria dentro do parque, com mesas, bancos, que nem parque de merendas. Antes de irmos para lá, ainda seguimos o rasto de excrementos de elefante até um jovem macho. Os machos adultos, a não ser na altura do cio das fêmeas, andam sempre sozinhos.

Elefante jovem macho
Elefante jovem macho

Depois, o Clint recebeu uma mensagem no rádio que o deixou em polvorosa… Tinham sido avistados leões. Ele avisou logo que os leões, durante o dia então quase sempre a dormir, ou pelo menos, a descansar. O Rei da Selva não tem que se preocupar com predadores, por isso descansa em qualquer lado, mas principalmente à sombra.

Leão a descansar ao sol da manhã
Leão a descansar ao sol da manhã

O sítio onde tomámos o pequeno almoço estava infestado de pássaros à procura de comida fácil. Achei muito engraçados os calaus de bico amarelo e uma espécie de estorninho com penas de azul metálico muito bonito.

Calau de bico amarelo à espera de comida
Calau de bico amarelo à espera de comida

Estes bichos andavam por cima das mesas, quase roubando o comer da mão das pessoas. E eram às dezenas.

Neste espaço também se vendiam lembranças. Ainda trouxe um chapéu tipicamente sul-africano, uma t-shirt e uns ímans para o frigorífico.

Isto passou-se por volta das 9 horas da manhã. Às 9h30 já estávamos a andar pelo parque outra vez, em busca de mais coisas para ver.

O mais espectacular do dia todo foi quando deparámos com uma manada de uns 40 elefantes que se lembrou se atravessar o caminho à nossa frente. Claro que tivemos que esperar que eles passassem todos, senão arriscávamo-nos a ser atropelados por eles.

Manada de elefantes a atravessar a estrada
Manada de elefantes a atravessar a estrada

Foi impressionante reparar na inteligência destes bichos. As fêmeas mais velhas colocaram-se entre o jipe e o resto da manada enquanto atravessavam e só saíram do sítio quando os mais jovens atravessaram todos a estrada.

Depois desta cena espectacular ainda vimos crocodilos, tartarugas e um hipopótamo numa das poucas zonas com água do parque.

Ainda houve tempo para ver mais um dos Big Five, o búfalo. É um animal mesmo feio e mal encarado. E, segundo o Clint, um dos mais perigosos, pois ataca sem aviso.

Para muita pena nossa, acabou o safari pouco tempo depois. Ainda houve tempo para uma foto de grupo na ponte sobre o Crocodile River.

A malta
A malta

Fomos almoçar à povoação mais próxima, chamada Malelene. Incrivelmente, o super-mercado/take-away que encontrámos era gerido por portugueses. Essa praga que se vê em qualquer sítio do Mundo onde vou…

Após o almoço, lá seguimos pela estrada N4 até Maputo, mas desta vez não houve enganos. Foi só seguir em frente.

Estrada N4
Estrada N4

Kruger National Park (1/2)

Este fim-de-semana foi dia de viagem até ao Kruger National Park, o maior parque natural do Mundo, com 25.000 km2, na África do Sul!

A viagem começou com a saída de casa, às 7h30. Já sabíamos mais ou menos a direcção a tomar: sair de Maputo pela Avenida Eduardo Mondlane, em direcção a Matola, a primeira cidade logo após a saída de Maputo.

Mercado da Matola
Mercado da Matola

Em Matola, vi um mercado com imensas pessoas; era uma confusão de gente, principalmente à beira da estrada, pois era aí que estava a maioria dos vendedores.

Não sabíamos, mas a viagem começou a correr mal logo aí. Tínhamos que virar à direita em direcção a Ressano Garcia, que fica na fronteira com a África do Sul. Apesar do Paulo ter um telemóvel com GPS e estar equipado com os mapas de Moçambique e África do Sul, não o tinha ligado. Em vez disso, seguimos em frente.

A estrada que tínhamos apanhado era a N251. Começou bem, mas após alguns quilómetros, chamar àquilo caminho de cabras era dizer mal dos caminhos de cabras em Portugal…

Estrada Nacional 251 de Moçambique
Estrada Nacional 251 de Moçambique

Pelo caminho encontrámos pessoas que seguiam a pé. Não sabemos onde iam, mas muitas andavam com bidões de água à cabeça. Provavelmente tinham ido buscar água.

São incríveis as condições em que vivem. Algumas devem fazer quilómetros a pé só para ter água.

A imagem de cima até faz parecer que era uma estrada razoável para Moçambique, mas havia partes dela em que até o jipe tinha dificuldades em transpor…

Encontrámos algumas pessoas pelo caminho, inclusive um senhor com uma menina ao colo ao qual o Joaquim ofereceu duas bolachas. A menina agarrou-se a elas como se não houvesse amanhã. Perguntámos-lhe se faltava muito para chegar à fronteira. Disse-nos que era logo ali… Mas, para chegar logo ali, ainda demorámos mais de 1 hora; nesta estrada devemos ter feito uma média de 20km/h ou menos. Ainda considerámos a hipótese de voltar para trás, mas essa opção revelava-se a pior, pois segundo o GPS do Paulo, que entretanto tinha sido ligado, indicava que já tínhamos percorrido mais de metade dessa estrada.

Aproveitámos para tirar uma foto de grupo.

O resto da malta
O resto da malta

Da esquerda para a direita: Tiago Pinto, Alexandre Fernandes, Joaquim Mendes, Mário Sampaio e Paulo Leitão. Last but not least, por trás da câmara, António Trindade.

Finalmente chegámos à fronteira. Tivemos que tratar de papeis para os carros, pois não podiam entrar sem registo e para nós. Demorámos cerca de uma hora só para a atravessar. Depois de entrar na África do Sul, foi rápido. O Pestana Kruger Lodge fica a menos de 50km da fronteira.

Este hotel é engraçado. É constituído por várias casas, de vários tamanhos. Nós iríamos ficar numa das mais pequenas, com apenas duas divisões: um quarto/sala de estar e uma casa de banho.

Bungalow do Pestana Kruger Lodge
Bungalow do Pestana Kruger Lodge

Chegámos ao hotel cerca das 12h45 e, como tal não podíamos ainda fazer o check-in. Só a partir das 14h00. Mas, como é moda, serviram-nos logo um suminho de laranja, servido em copo de pé, com uma palinha curta.

Fomos então almoçar a um restaurante, a cerca de 100m da entrada principal do hotel. O que mais gostei deste almoço foi a sobremesa: Chocolate Nemisis. Tinha natas, chocolate, chocolate e chocolate. Excelente!

Depois do almoço estivemos na esplanada do hotel até anoitecer. Ainda tive luz suficiente para tirar umas fotos! De quatro delas, surgiu esta panorâmica do Crocodile River:

Panorâmica do Crocodile River
Panorâmica do Crocodile River

É simplesmente de tirar a respiração, esta paisagem! Infelizmente não dá para passear nas margens deste rio, pois está infestado de crocodilos…

O jantar foi no hotel. Após o jantar ainda tive tempo de tirar algumas fotografias ao céu nocturno, aproveitando o facto de ser completamente diferente do céu que se vê em Portugal. Apenas consigo reconhecer uma constelação, o Cruzeiro do Sul…

Céu nocturno africano
Céu nocturno africano

Depois disto ainda estive um pouco na conversa com o Alexandre. Fomos para a cama cedo, pois no dia seguinte tínhamos que estar prontos às 6 horas da madrugada, ainda antes do Sol nascer, pois o guia do safari estaria a essa hora a bater-nos à porta.

Ida ao museu

[H]oje fui o primeiro a levantar-me aqui em casa. Quando acordei, eram cerca de 9 horas da manhã e já a luz do dia inundava o meu quarto sem estores. Alias, não há um único estore nesta casa… Tratei de tomar o pequeno-almoço. As empregadas tinham deixado a mesa posta para hoje. Estava nas traseiras da casa tratar de mais umas fotografias quando chega o Joaquim. Perguntou-me se queria ir ao Museu de História Natural. Claro que aceitei. Andámos um pouco pela cidade e aproveitei para tirar umas fotos, mas desta vez com a Canon 450D. Maputo tem muito edifícios abandonados, principalmente vivendas. Aliás, o centro da cidade, além de ser completamente ortogonal como as cidades modernas, é quase todos constituído por vivendas. Uma destas, abandonada e a cair de podre é a antiga sede da P.I.D.E.

Vila Algarve - Antiga sede da PIDE
Vila Algarve – Antiga sede da PIDE

Seguimos para o Museu de História Natural, não antes de tomar um café no Café Acácia, com vista para a baía. Sítio muito agradável, com bastante sombras e, surpreendentemente, de serviço muito rápido.

Depois do café, entrámos no Museu. É um edifício de estilo neo-manuelino, construído ainda nos tempos coloniais. Lá dentro podemos ver grande parte dos animais que existem na Natureza em Moçambique.

O melhor do museu é mesmo a sala principal, onde se encontram estátuas em tamanho natural de elefantes, rinocerontes, girafas, gnus, etc.

Rés do chão do Museu de História Natural
Rés do chão do Museu de História Natural

Impressionante mesmo é a colecção de 14 fetos de elefante, em diferente estágios de desenvolvimento. Estes bebés, quando nascem, pesam cerca de 100Kg!

A mais completa colecção de fetos de elefante
A mais completa colecção de fetos de elefante

De seguida fomos almoçar ao Restaurante Cristal, onde comi Matapa de caranguejo com Xima. Prato típico de Moçambique. Matapa é um molho que eles fazem com amendoim, ovos, couves e mais não sei o quê. Xima é tipo um puré muito consistente, feito à base de farinha de mandioca. Não gostei muito da xima, mas a matapa estava muito boa… E o caranguejo ainda mais!

Ao fim do dia, ainda deu para fotografar uns passarocos que esvoçavam à volta da casa e poisavam nas árvores das redondezas, como este pica-peixe-de-barrete-castanho:

Pica-peixe-de-barrete-castanho (Halcyon albiventris)
Pica-peixe-de-barrete-castanho (Halcyon albiventris)